Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Esta posta é a propósito da tragédia que se abateu sobre o território madeirense e quero, antes de mais, escrever que sou solidário com os nossos compatriotas madeirenses, neste momento terrível.

Poderão, à primeira vista, pensar que se trata de um ataque político, à semelhança de outros que, aproveitando-se da situação, o estão a fazer. Nada de mais falso; esta posta trata de factos.

Estava escrito; estava escrito que, à semelhança de outros locais no País, aquela tragédia ocorresse. Quem trabalha na área do Ordenamento do Território, sabe bem que, por vezes a toponímia é importante demais. Já não falo sequer de tornar as áreas de leito de cheia em áreas non aedificandi - áreas de construção condicionada - como manda a Lei da Reserva Ecológica Nacional (REN) que, se não me engano, nunca teve aplicação nos territórios insulares (apenas os novos PDM as vão incluir, com óbvias adaptações). Falo simplesmente, isso sim, de prestar atenção à toponímia. A área mais afectada chama-se Ribeira Brava. Será que isto nunca levantou dúvidas a ninguém? Era mesmo necessário ter a REN aplicada no território para chegarem a conclusões que salvariam vidas, ou bastaria ter bom-senso?

Sem me querer alongar muito mais, culpo, liminarmente, por esta tragédia os responsáveis pelo Ordenamento do Território daquele Governo e, em última análise o seu Presidente que parece querer desenvolvimento (ou será apenas construção?) sem olhar a meios.



publicado por fblourido às 13:50 | link do post | comentar

3 comentários:
De jpfelgueiras a 22 de Fevereiro de 2010 às 14:58
mais tarde ou mais cedo a natureza encarrega-se de corrigir aquilo que de mal o homem faz.
foi uma vez mais o caso.

preserverança, coragem e mão firme a todos os que intervêem no ordenamento do território. Não é necessário inventar nada, está tudo escrito nos livros, com certeza por muitos que antes destes que agora morreram sobreviveram e ficaram para contar histórias de outros acontecimentos e tragédias.

paz às suas almas, aos que morreram e aos que ainda cá estão.


De Cais das Colinas a 23 de Fevereiro de 2010 às 10:22
Duas vezes "infelizmente".
1 - Infelizmente tens razão.
2 - Infelizmente não vamos aprender nada com a tragédia.
Ainda ontem o Primeiro Ministro dizia na SIC ao Sousa Tavares que este não é o momento para fazer este tipo de recriminações; é tempo "apenas" para a solidariedade.
Resta-nos esperar pela próxima tragédia que será evidentemente da responsabilidade dos excessos da meteorologia, essa ciência do oculto que volta e meia nos dá cabo dos planos.
Também ontem o Presidente do Gov. Regional pedia para não se dar demasiado destaque à tragédia, não fosse saber-se "lá fora" e isso ser prejudicial para o turismo.
A culpa da tragédia é da chuva; se as receitas do turismo baixarem a culpa será dos jornalistas do continente, já se está a ver.
Vai mais um jarro de poncha???


De Cais das Colinas a 24 de Fevereiro de 2010 às 16:58
Ontem voltei a ouvir o Presidente do Governo Regional e ele não poderia ter sido mais explícito: "- Os Madeirenses estão habituados a debater-se com a natureza e a ganhar; e desta vez vão ganhar de novo."
Está tudo dito. Construa-se então de novo nos mesmíssimos sítios...


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