Segunda-feira, 10 de Maio de 2010

 

Até nem sou pessoa que me lembre dos sonhos mas há sempre a excepção. Uma destas noites sonhei que um deputado, que estava a dar uma entrevista na Casa da Democracia, ficou desconfortável com as perguntas e chamou a si o direito de "acção directa" ficando na posse de dois equipamentos de gravação que não lhe pertenciam. Posteriormente, tendo sido apanhado em flagrante delito, deu uma conferência de imprensa em que declarou ter sido sujeito a uma "violência psicológica insuportável", tendo agido irreflectidamente, e até lá estava o líder da bancada a dar apoio em nome do partido (só mesmo em sonhos, eheh). Ainda hoje estou a tentar perceber como este personagem, que coloca "acção directa" e "irreflectido" na mesma frase teria chegado a deputado da Nação e teria por ocupação quotidiana fazer Lei, mas adiante. Imaginem vocês que na semana seguinte esse Deputado ainda estava em funções. As coisas que a nossa imaginação é capaz de conceber. Incrível

 

Agora mais a sério, todos temos o direito de errar é certo, mas nem todos somos deputados, sendo-o devemos deixar de o ser; e todos, mesmo todos, devemos pedir desculpa se quando o fazemos ofendemos alguém, é o mínimo da decência.



publicado por fblourido às 15:11 | link do post | comentar

4 comentários:
De Cais das Colinas a 11 de Maio de 2010 às 12:19
Pois eu tenho pena que o deputado em causa não tenha pregado uns murros no focinho dos rastejantes que, fazendo-se passar por jornalistas, foram à casa da Democracia prestar aquele serviço vergonhoso à Democracia e à liberdade de imprensa.
Não conheço o deputado em causa nem sei se é bom ou mau.
Sei que faz falta gente como o Sousa Tavares (pai).
Sei que quem não se sente não é filho de boa gente e aqueles pseudo-jornalistas são filhos mas é da p...!
Surripiar uns gravadores foi de facto uma infelicidade; há vergonhas que se devem resolver de outra forma e com o grau de civilidade imposto pelo interlocutor.
No caso presente a argumentação deveria ter-se resumido ao jab seguido de uppercut combinado com um directo de esquerda e um cruzado de direita rematando (literalmente) com um rotativo nas trombas.
Há coisas que ninguém tem que tolerar, seja o visado um ilustre deputado ou o bêbado da tasca da esquina.
Tenho dito!


De fblourido a 11 de Maio de 2010 às 12:45
Not my point. Não acho que ele tenha que tolerar seja o que for (nem estou por dentro das questões em causa), ele é que sabe o que deve tolerar. Penso apenas que não pode proceder como o fez. E, para mim, isto só deveria ter um desfecho. O Brown disse mal de uma apoiante, toda a gente concordava com ele, e mesmo assim veio pedir desculpa. O que este fez nem de perto se assemelha com a situação do Brown.


De Cais das Colinas a 11 de Maio de 2010 às 13:09
E eu acho que o Brown fez mal em pedir desculpa.
Estamos aqui estamos num mundinho tão asseado e politicamente correcto que que mais parece uma estufa habitada por virgens pudicas (todas falsas como é evidente).
Admito que o Gordon Brown não queira chamar maluca a uma eleitora que o aborda na rua agora que em privado esteja impedido de lhe chamar fanática é absurdo.
Ele apenas se esqueceu que estava com um microfone, mais nada.
Achas que um ser humano, só porque é candidato a PM deve ser impedido de ter opiniões e de as manifestar em privado ao seu staff mais chegado? É que foi isso que aconteceu; nada mais.
E estando ele em privado até podia ter tido um comentário bastante mais comprometedor mas limitou-se a chamar fanática a uma fanática. Qual é o problema?
E se ele tivesse dito que a loira que estava encostada à cabine telefónica era gira? E se ele tivesse dito que o tipo do blusão verde que estava sentado no capot do carro tinha mau aspecto?
Quanto ao episódio cá do nosso burgo acho que o deputado reagiu de forma infantil e que na conferência de imprensa perdeu a oportunidade para esclarecer a vergonha de que foi alvo.
Para mim pecou por defeito e perdeu uma oportunidade para defender a dignidade da sua pessoa, da classe politica e do Parlamento.
Este é um dos raros casos que merecia umas bengaladas à antiga. O problema é que já não há homens à antiga.
Olha, o José Eduardo Martins chamou o que chamou ao Candal e ficou tudo em águas de bacalhau porque as pessoas perceberam que não se pode dar total liberdade à acusação e depois limitar o exercício da defesa. E toda a gente percebeu que há coisas que não se podem tolerar.
E este caso é bastante mais grave...


De fblourido a 11 de Maio de 2010 às 15:31
Mais uma vez: not my point. Eu até acho, e digo mesmo, que se estivesse na posição do Brown talvez não pedisse desculpa. Mas uma coisa é o que acho, e penso que faria, outra, bem distinta, é o que se deve fazer uma vez ocorrida a situação. Referi esse episódio exactamente por isso. Uma pessoa que ambos concordamos que não deveria pedir desculpa pediu. Estoutro que tinha mais era que pedir desculpa (e não me referi, nem refiro, aos jornalistas mas sim a mim e a ti - aos seus representados), não o faz. Está mal. Pode enunciar todas as razões do mundo, penso que nenhuma servirá para justificar o que fez, até porque o acto em si é inconsequente em termos práticos (penso que ele sabe que as câmaras gravam áudio). Como disseste e bem o acto foi infantil, ele disse que "irreflectido"; a conferência de imprensa uma trapalhada; e eu não gosto de ter pessoas no Parlamento que se comportam assim. No Parlamento as armas são as palavras, e não quaisquer actos físicos, sejam bengaladas ou fanar gravadores. O um deputado apenas é ilustre se o souber ser. Se quer andar as bengaladas sai do Parlamento e fá-lo, depois volta; levantava-se e ia-se embora e tratava do assunto de outra forma, se quisesse. Um deputado tem que saber ser superior, essa é a arte da vida pública. Ninguém disse que era fácil, vai perguntar ao Sócrates; não o vês ás bengaladas, mas assevero-te que já lhe apeteceu.


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