Ando um pouco descontente com o meu País, ou com alguns que nele comigo habitam. Neste momento, está a chatear-me esta capacidade única de andarmos sempre cabisbaixos, a queixarmo-nos do nosso fado. Não sei porquê. Já cá ando há tempo suficiente para estar mais que habituado a isso. E estou, porém não deixa de me chatear. Quando iremos olhar para o futuro com aquele brilho no olhar de quem sabe o que quer, como quer, e para onde vai. Porque seremos, eternamente, o Povo que não se revê nas decisões tomadas por quem elegeu, criticando-as sem apresentar, normalmente, alternativas? Decisões normalmente previstas em programas de governo que se submeteram à voz do Povo? Afigura-se-me claro que devemos estar inoculados por um vírus que atingiu concentrações perigosas no organismo do Dr. Medina Carreira, a quem muito devemos, sem dúvida, mas que apresenta sintomas graves do dito agente infeccioso.
Infelizmente, e apesar de saber que somos capazes de coisas fantásticas como gestos de solidariedade de meter inveja a qualquer cruz ou lua vermelha, também somos caracterizados por coisas extremamente negativas, senão vejamos. Caracterizam-nos negativamente, a meu ver, generalizando, e de forma sumária, os seguintes adjectivos: invejosos, mentirosos, corruptos, mesquinhos, preguiçosos, iletrados, nhurros, cansados, doentes, infelizes, ingénuos, deprimidos, histéricos. Tento o exercício oposto, encontrar adjectivos que nos caracterizem positivamente e, com muito mais dificuldade, ocorre-me um número menor, muito menor, de adjectivos, vejamos: solidários, hospitaleiros, desenrascados, sentimentais. Enfim como imaginava, é-me mais difícil. Será culpa do meu léxico? É possível, embora não me pareça provável.
Bom, a minha tese é de que enquanto assim continuarmos, e tudo indica que será, infelizmente, por muito mais tempo, nunca sairemos enquanto Povo e País, da cepa torta. Essa é que é a questão de fundo, é aí que reside a solução para grande parte dos nossos problemas. Não são políticas económicas, fiscais, judiciais, avulsas, ou outras que, per si e artificialmente, resolverão os problemas, os problemas apenas serão resolvidos quando nos decidirmos a tal enquanto Nação, como desígnio nacional. É a mudança de paradigma cultural que nos poderá, alguma vez, retirar deste marasmo. Aludindo ao que escrevi acima é preciso, urgentemente, que aprendamos o que queremos, como o queremos e para onde vamos. Jorge tu é que tinhas razão.
Adenda: Não há teoria sem hipótese e corolário. Alterei a imagem inicialmente publicada que, embora tenha algum interesse, não vem tão o propósito como a que agora figura no inicio da posta, encontrada aqui.