
Estamos em período de aperto. Portugal necessita de ser mais eficiente - a todos os níveis - mas, tal como um computador que apesar de ter um bom software não funcionará bem sem ter um igualmente bom hardware, também o país pode ter cidadãos cheios de iniciativa, bem formados e informados e empresas extremamente competitivas que não irá a lado nenhum sem ter um bom ordenamento do território. Sei que sou suspeito pois trata-se da minha ocupação diária, porém acredito, sinceramente, que a nossa maior eficiência e competitividade enquanto país passará, necessariamente, por uma evolução positiva na área do ordenamento do território. Por ser uma área que me diz muito e por ter uma extrema complexidade, este será o primeiro de uma série de posts acerca do tema, que serão administrados em pequenas doses homeopáticas.
Hoje abordarei uma questão essencial: a classe política.
Infelizmente, dificilmente faremos algo de bom no ordenamento enquanto a classe política depender dos votos para ganhar eleições, ou se quiserem, dificilmente faremos algo de bom no ordenamento enquanto a classe política puder determinar onde ocorrem as áreas de expansão urbana, ou se quiserem, dificilmente faremos algo de bom no ordenamento enquanto a classe política não tiver o mínimo de formação em ordenamento do território, e ainda, se quiserem, dificilmente faremos algo de bom no ordenamento enquanto a classe política não perceber que ao viabilizar as pretensões de meia dúzia de votos eleitores pode estar a hipotecar a pretensão da totalidade dos que governa: o direito que têm a um bom ordenamento. No fundo, e pensando mehor, dificilmente faremos algo de bom no ordenamento enquanto os eleitores não souberem o que é o ordenamento. Esta é a verdade. Para primeiro post, para não os cansar já, e porque eu próprio estou um pouco cansado, fico-me por aqui. Próxima paragem: a importãncia do debate público sobre ordenamento.
De Cais das Colinas a 29 de Maio de 2010 às 00:31
Boa ideia essa de te lembrares do King Kong; era gajo para dar uma mãozinha no ordenamento do território.
Cheira-me que ele tem mãozinha para o urbanismo, mesmo que lhe falte alguma urbanidade.
O King Kong era uma grande mais-valia nessas Quarteiras que por aí andam.
Ele brincava às demolições e depois era só mandar recolher o entulho...
De facto...por vezes dá vontade. Foi completamente casual. Mas enfim, a genialidade é sempre casual...eheh
Concordo plenamente que o ordenamento do território deveria ser muito mais explorado, ao contrário do que acontece... O que aconteceu na Madeira é o perfeito exemplo de um mau (ou melhor, inexistente) ordenamento e as consequências estão à vista... Espero que não seja preciso mais para que se abram os olhos!
Bom tópico ;)
Já aqui se falou desse incidente trágico na Madeira. Nesse post (http://zumbanacaneca.blogs.sapo.pt/22876.html) aflora-se um pouco sobre o porquê do acontecido. Mais se irá dizer ao longo desta série, com toda a certeza. Obrigado.
De
Maionese a 30 de Maio de 2010 às 16:27
Como é que pode haver um verdadeiro reordenamento do território quando os pdms estão todos alterados e metade dos concelhos nem cartas arqueológicas, ou zonas agrculas têm definidas?
o lobby da construção não deixa.
aparece em
http://forcanamaionese.com
Obrigado pelo comentário Maionese. De facto, confirmo a dificuldade extrema de obter a informação sobre o património, seja arqueológico, seja arquitectónico , em todos os concelhos em que trabalho. Mais, para além de ser difícil de obter existem contradições entre as entidades responsáveis nesses áreas. É certamente uma área a melhorar. Quanto à existência de concelhos sem espaços agrícolas, exceptuando Lisboa e poucos mais que admito existirem mas desconheço, penso ser difícil a ocorrência de tal, uma vez que o solo rural é normalmente composto de espaços agrícolas e florestais, e esses existem quase sempre.
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